quinta-feira, 29 de maio de 2008

Narração em 3ª pessoa: O destaque do Observador


Quarto de Recordações




Talvez fosse o dia mais frio daquele ano e Clair resolveu tomar seu chocolate quente em outro cômodo de sua casa, um quarto vazio onde ninguém mais dormia. Antes de entrar no cômodo deu um longo suspiro como quem fosse passar por uma auto-provação. Ao atravessar a porta, contemplou cada parede, cada pedaço de chão e tudo mais que havia naquele lugar.

O quarto parecia intocado. Havia uma cama com uma coberta azul com bolas de futebol. No teto, miniaturas de planetas luminosos. Na bancada estavam dois bonecos ajeitados um de frente para o outro como se fossem brigar. E no canto do quarto, vários outros brinquedos guardados e nunca mais usados.

Clair parou na frente de um mural de fotos pregado na parede. Em cima estava escrito "Léo". Os olhos dela se avermelharam e se entristeceram. Levou uma das mãos à boca enquanto a outra, trêmula, passava pelas fotos. Parecia que só ver não era suficiente para Clair. Ela precisava tocar e sentir. Eram fotos de um menino quando bebê e criança de uns 10 ou 11 anos. O garoto tinha a cor dos cabelos e dos olhos iguais ao de um homem nas fotos. O sorriso não dava para saber com quem parecia. Não havia foto desse homem sorrindo e a mãe do menino não sorria mais.

O chocolate quente havia acabdo. Ela saiu da frente do mural de fotos e se dirigia para fora do quarto, quando parou perto da porta. Assim ficou por pelo menos uns cinco minutos: quieta, silenciosa, apenas olhando para a cama de coberta azul com bolas de futebol. Voltous- de frente para o quarto, deixou seu copo na bancada ao lado dos bonecos, tirou o roupão que vestia e ficou só de pijama. Antes de apagar a luz do quarto, tirou do roupão uma reportagen recortada que tinha como manchete: "Mais uma vítima desse mundo violento". Olhou o jornal com olhos mais avermelhados, mas não entristecidos. Era outra coisa. Jogou o texto em outra direção, apagou a luz e deitou na cama em meio a choros e soluços.

Já era o dia seguinte quando Clair acordou. Ficou deitada por mais um minuto. Levantou-se, arrumou tudo que havia bagunçado e saiu do quarto para tomar banho e se arrumar para o trabalho. Antes de sair, olhou para o quarto sem mecher a cabeça apenas, virando os olhos. E, no final, falou, com um sorriso simples e fraco, como se houvesse alguém no quarto: "Feliz aniversário, meu filho."


Um comentário:

Anny Karolinne Reis Siva disse...

adorei
mas nao consegui imprimir!